domingo, 22 de novembro de 2009

DIVERSIDADE


Diversidade: é importante debater essa questão nas escolas!


Veja como levar o tema para a sala de aula e melhorar a relação na comunidade escolar

Podemos dizer que a identidade é uma construção a partir de traços culturais. Cabe a ela diferenciar os grupos sociais. Em um país como o Brasil, conviver com as diferenças sociais é importante para o funcionamento da sociedade. Nesse contexto, a escola é o espaço onde se encontra a maior diversidade cultural e também o local mais discriminador. Por isso, trabalhar as diferenças é um desafio para o professor, por ele ser o mediador do conhecimento, ou melhor, um facilitador do processo ensino-aprendizagem.

Segundo Ana Leite, mestre em Educação Brasileira pela PUC-Rio e pesquisadora da UNIRIO, uma das maiores dificuldades dos professores é pensar o tema diversidade de maneira multidisciplinar. “A pluralidade cultural marca a vida do Brasil. Pensar e introduzir esse tema nas escolas depende da vontade de gestores e de um processo político-pedagógico que contemple a diversidade. Um grande obstáculo é a formação do professor. Ele não está preparado para isso. É preciso investir em cursos de formação continuada e material de apoio”, afirma Ana.

Ela lembra que os preconceitos são baseados em crenças e estas, por sua vez, são irracionais. “As crenças estão presentes em todas as culturas e estereotipam as pessoas que são alvos dela”, diz a pesquisadora da UNIRIO. Quem nunca estudou com alguém que era alvo de gozação? O problema é que as implicâncias e perseguições deixam marcas que podem acompanhar os alunos pela vida toda. “Temos alunos que são vistos de forma preconceituosa pela cor da pele, outros por terem orientações sexuais minoritárias, inclusive alunos com necessidades especiais”, destaca Ana.

De acordo com pesquisas da Unesco em parceria com a UNIRIO, os alunos que sofrem preconceito muitas vezes se isolam porque não têm a quem recorrer. O rendimento escolar é prejudicado e eles acabam saindo da escola. “As chacotas maculam a autoestima do aluno. O professor não reage porque ele, muitas vezes, acredita que essa função é do psicólogo ou do coordenador escolar. E em casa os jovens não têm diálogo”, acrescenta a mestre em Educação.

Como lidar com a questão?

Para Ana Leite, os alunos não têm o professor como um aliado. Para reverter esse quadro é preciso discutir estratégias para mediar os conflitos. Outra ação é o funcionamento dos grêmios escolares, com o apoio da direção, além da abertura da escola para a comunidade. “O que não pode acontecer é a escola fechar os olhos e adotar a política de avestruz. É importante dar visibilidade a essas questões. Elas são a reprodução do que acontece na comunidade. O acesso à informação e o debate são importantes”, avalia.

Na América Latina, bons exemplos de mediação de conflitos nas escolas podem ser observados na Argentina. Por lá, as escolas interessadas aderem aos programas e se preparam para aplicar as estratégias. “O colégio escolhe alunos para serem líderes. São eles que mediam os conflitos entre os pares e não os professores e a direção”, explica Ana Leite.

Os efeitos são de longo e de médio prazo. Para traçar planos de trabalho é importante observar os indicadores de qualidade da escola, o interesse dos atores envolvidos, contar com a parceria das Secretarias de Educação, ter um acompanhamento adequado. Ou seja, cada caso é um caso.

Novas questões começam a interferir no dia a dia das escolas e a levantar outras discriminações. “Hoje temos a questão do gênero, por exemplo. As meninas estão se envolvendo muito mais em brigas e disputas fora da escola. Tudo por causa da questão do ‘ficar’, dos namoradinhos. É claro que essa questão da violência não chega até a sala de aula. Ela aparece de uma maneira mais sutil, com os boatos, por exemplo. Existem alunos que deixam de merendar para não entrarem em conflito com quem os ameaçam”, afirma Ana Leite. O crime organizado também aparece pelos corredores da escola. “Vários alunos evitam dizer onde moram por questões do crime organizado. Muitos estudantes são de comunidades rivais”, continua a pesquisadora.

Cidadania

Aprender a lidar com as diferenças é o primeiro passo para a formação de bons cidadãos. Por isso o papel da escola é tão importante. “Todos ganham quando a diversidade é discutida no ambiente escolar. O debate contribui para a formação de jovens mais conscientes, que estão atentos ao outro, àquele que está ao seu lado. Quando as pessoas passam a se conhecer, as diferenças deixam de ser motivo de conflitos”, conclui Ana Leite.

Ana Leite
FONTE: Conexão Professor

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